Criticar demais os outros: orgulho elevado ou falta de confiança disfarçada?

Existem pessoas que têm sempre uma opinião para tudo, que gostam de criticar os outros de forma desproporcional, como se somente elas soubessem as respostas. Já reparou? Quando você se depara com alguém com esse tipo de comportamento você acha que esse comportamento é um sinal de autoestima elevada ou uma falta de confiança disfarçada?

Como disse o psicanalista Freud em sua teoria, “Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo”, ou seja, quando falamos de alguém estamos na verdade falando de nós mesmos, através de um mecanismo psicológico chamado projeção.

O mecanismo tem esse nome porque projetamos no outro conteúdos que são nossos, ou seja, colocamos no outro frases, emoções ou comportamentos que estão dentro de nós. Quando você diz que a sua amiga vai ficar nervosa porque você vai chegar 5 minutos atrasada, pode revelar na verdade um comportamento seu de se irritar com atrasos.

Outro fator de projeção relacionado ao comportamento crítico, seria falar muito mal de determinado comportamento. Essa conduta pode revelar na verdade uma vontade reprimida de se comportar daquela forma. Como por exemplo uma pessoa que não pode sair a noite ficar criticando e reprimindo quem sai.

O que vai definir essas projeções e o teor crítico delas são os nossos conteúdos internos. Comentários críticos, negativos, reprovadores, desestimulantes ou competitivos podem evidenciar uma falta de autoestima e necessidade de sentir-se importante.

Não aceito no outro o que também não aceito em mim

Existe uma grande chance de uma pessoa muito crítica ter internamente uma questão de baixa autoestima bem importante. Quando você não aceita os outros, pode indicar que você não aceita a si mesmo. Reconhecer no outro uma característica minha que eu não aceito é incômodo e gera muito mal-estar.

Os fatores que levam ao excesso de crítica são a não aceitação, dificuldade em conviver com diferenças, ver no outro aquilo que incomoda dentro de mim, insegurança, necessidade de controle e consequentemente uma baixa autoestima.

Estar rodeado de pessoas que pensam de maneira diferente da minha pode fazer com que eu me sinta ameaçado, inseguro, pouco interessante e também coloca em dúvida meus valores. Então, preciso convence-las da minha opinião para deixar o ambiente mais controlado e menos ameaçador e consequentemente sentir-me mais seguro e menos ameaçado.

Alguns criticam com muita arrogância, e ela pode ser um ótimo mecanismo de defesa dos inseguros que se sentem inferiores e acabam se colocando de uma forma muito crítica e superior aos outros para que ninguém (nem eles mesmos) perceba os seus pontos fracos e dificuldades.

Em uma sociedade cada vez mais competitiva, o caminho natural é que as pessoas se sintam cada vez mais ansiosas, frustradas, infelizes, inadequadas e consequentemente sejam mais críticas, já que esse comportamento serve principalmente para aliviar ansiedade e tensão e tirar o foco de mim mesmo e das minhas dificuldades.

Quem critica se sente aliviado, “poderoso” ou “dono da razão’ porque transfere tudo o que sente para o outro. Como consequência, do outro lado vamos ter o mal-estar do criticado.

A palavra do outro me faz entrar em contato comigo mesmo, com meus conteúdos internos e faz eu me sentir errado, inadequado, me cobrar para ser cada vez melhor, sentir angústia, tensão, estresse e em certos níveis pode inclusive levar à depressão, síndrome do pânico e infelizmente até suicídio.
Falar mal do outro é ferir a si mesmo

Resumidamente, criticar é sentir-se mau consigo mesmo, tirar esse mal-estar de dentro de você e colocar no outro, como se o foco deixasse de ser você e passasse a ser o outro. Então o outro entrará em contato com seus sentimentos, se sentirá mau consigo mesmo e procurará outra pessoa para aliviar essa tensão, num ciclo constante que como resultado trará muita insatisfação para todos.

Para que esse ciclo seja quebrado, é necessário que de um dos lados tenha uma pessoa que saiba lidar com as suas emoções, que se conheça, aceite as suas qualidades e os seus defeitos para poder separar o que é seu do que é do outro.

Se você se reconhece como uma pessoa muito crítica e gostaria de mudar de postura, o caminho seria entender que muitas vezes você está falando de você mesmo e que deve trabalhar o autoconhecimento e a aceitação dos seus pontos fortes e fracos. Esse processo te trará mais segurança e menos ansiedade.

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