Bullying no relacionamento

img-2Muito tem-se discutido sobre como a prática do bulliyng está afetando a sociedade de modo geral ultimamente. Geralmente associamos a prática a situações escolares e a grupos de jovens, mas ao analisar o significado da palavra podemos compreender como a prática pode ser mais abrangente e afetar outros grupos de pessoas.

A palavra bullying deriva do inglês bully que significa ameaçar, maltratar, oprimir e assustar. O termo tem sido utilizado em diversos países para classificar atitudes e comportamentos agressivos, ameaçadores, amedrontadores e cruéis em todos os tipos de relações interpessoais.

Portanto, como a própria definição da palavra esclarece, o bullying é algo que pode estar presente e afetar de forma negativa qualquer tipo de relação, inclusive o relacionamento do casal.

Muitas relações são marcadas por violência física e psicológica. O bullying tende a agredir principalmente o aspecto psicológico da pessoa, através de ameaças constantes, comentários excessivamente negativos, atitudes de rebaixamento e humilhação.

As vitimas de bulliyng no relacionamento, assim como as crianças e jovens vitimas de bulliyng na escola, apresentam sinais de timidez, baixa auto-estima, sensação de incapacidade e impotência, fobia social, dificuldade de relacionamento interpessoal, insegurança e até pensamentos suicidas.

Para muitas pessoas a violência psicológica pode causar mais danos e deixar mais sequelas que a violência física, pois infelizmente é mais difícil de ser comprovada, denunciada, punida e superada.

As vitimas tem dificuldade para se defender e colocar um fim as ameaças porque geralmente são pessoas estruturalmente mais frágeis, que ficam mais fragilizadas ainda diante das ameaças e que se sentem pequenas, inferiores e incapazes diante do agressor que geralmente se mostra forte, inabalável e indestrutível.

Outros fatores que dificultam a procura de ajuda pela vítima são:

– Sensação de merecimento: A pessoa acredita que as suas atitudes são erradas e inadequadas e por isso ela merece ser punida e castigada. Nesse caso a pessoa não procura ajuda porque acredita que as reações negativas são reações naturais aos seus constantes erros. Geralmente a pessoa tem a sensação de fracasso e inadequação social.

– Sensação de pouca importância: Nesse caso a auto-estima da pessoa é baixa a ponto dela acreditar que ao procurar ajuda fará com que as pessoas procuradas percam tempo com algo sem importância. É a sensação de que as pessoas tem coisas mais importantes com que se preocupar e ocupar, uma vez que ela não é importante para ninguém.

– Desconfiança: O excesso de ameaça faz com que a vitima passe a ver todos a sua volta como ameaça e não procura ajudar por não acreditar que existem pessoas que irão se preocupar com ela, não irão feri-la de nenhuma forma e principalmente que não utilizarão suas palavras e sentimentos contra ela mesma.

– Sentimento de impotência: A pessoa se sente sem forças para tomar alguma medida capaz de acabar com a situação. O sentimento de impotência e desvalorização geralmente está acompanhando da hiper valorização do agressor.

– Negação: Essa atitude age como um forte e importante mecanismo de defesa para que a pessoa não entre em contato com o seu sofrimento, pois através da negação os aspectos negativos do parceiro são ignorados e as qualidades são exaltadas. Ex.: Quando a mulher sofre algum tipo de violência em casa e define e vê a figura do marido como “um homem exemplar porque ele é trabalhador, honesto e não bebe.”

– Sensação de Ridicularização: Acomete as pessoas que tem todas as suas atitudes ridicularizadas e são alvo constante de piada e deboche por parte do parceiro. Como essas pessoas passam a acreditar que não são dignas de serem levadas a sério, não procuram ajuda por achar que ao contar as suas aflições e medos serão alvo de piada.

– Vergonha de seus sentimentos: Quando a pessoa está muito fragilizada tende a sentir vergonha de seus sentimentos e por isso sente dificuldade para compartilhar com outras pessoas suas angustias.

– Associação de violência e afeto: Um fator importante que dificulta a constatação da violência psicológica é o fato da vitima ter crescido em um ambiente familiar agressivo, se casar com uma pessoa também agressiva e associar ameaça e violência a afeto, não percebendo que está sendo vítima de atitudes violentas.

Nesse caso, a pessoa percebe como algo positivo as ações do companheiro (ou companheira) porque as associa a provas de amor, como por exemplo, as mulheres que permitem que o marido ciumento a acompanhe a todos os lugares e a impeça de ter contato com outras pessoas além dele por interpretarem que essas atitudes são uma forma de proteção e afeto.

Para auxiliar as pessoas que são vitimas de bulliyng no relacionamento é preciso trabalhar a dissociação de atitudes negativas e destrutivas de afeto, resgate da auto-estima, devolver o sentimento de autonomia sobre a própria vida e fortalecimento da personalidade entre outros aspectos, para que a pessoa sinta segurança e confiança em si própria e tenha condições de dar fim as agressões.

Um trabalho com o agressor também é importante para que ele perceba os motivos que o levam a se relacionar e agir dessa forma e desenvolva diferentes formas de lidar com as pessoas a sua volta, colocar a sua opinião e ser respeitado.

É importante esclarecer que tanto mulheres quanto homens podem ser vitimas de bulliyng no relacionamento e que ambos precisam ser auxiliados e acolhidos da mesma forma.